O futebol brasileiro vive uma fase de transição marcada por mudanças profundas na maneira como os clubes montam seus elencos.
Com a crescente pressão por resultados, o aumento dos custos operacionais e o impacto das SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol), as equipes estão repensando estratégias de contratação e gestão.
O ano de 2025 tem se mostrado um marco nesse processo de reestruturação, com clubes adotando métodos mais sustentáveis, modernos e baseados em dados.
A Era da Sustentabilidade Financeira
A realidade financeira do futebol brasileiro mudou.
Depois de anos de contratações caras e gastos descontrolados, a maioria dos clubes passou a adotar políticas mais racionais.
O modelo das SAFs — implementado por times como Botafogo, Cruzeiro e Vasco — introduziu uma mentalidade empresarial, priorizando equilíbrio orçamentário e eficiência esportiva.
Hoje, contratações são analisadas não apenas pelo talento do jogador, mas também por indicadores de desempenho, histórico físico e potencial de revenda.
O objetivo é montar elencos competitivos sem comprometer as finanças a longo prazo.
Clubes como Fortaleza, Athletico Paranaense e Cuiabá são exemplos de gestão eficiente, apostando em planejamento e desenvolvimento interno, e não apenas em nomes de impacto.
A Força das Categorias de Base
Outro aspecto fundamental dessa reestruturação é o aproveitamento da base.
Com o mercado inflacionado e a dificuldade de competir financeiramente com a Europa, os clubes brasileiros têm investido cada vez mais em suas categorias formadoras.
Jogadores como Endrick (Palmeiras), Wesley (Corinthians) e Lorran (Flamengo) simbolizam essa nova geração de talentos que chegam ao profissional com maturidade e preparo físico de nível europeu.
A base não é apenas uma solução técnica, mas também econômica.
Vender jovens formados no clube gera receitas importantes e reduz a dependência de contratações externas.
Além disso, fortalece a identidade do time com o torcedor, algo que se perdeu em muitos clubes nas últimas décadas.
Profissionalização e Tecnologia na Gestão de Elenco
O uso de tecnologia e análise de dados se tornou indispensável.
Hoje, praticamente todos os clubes da Série A contam com departamentos de análise de desempenho, scouting digital e softwares de monitoramento físico.
Essas ferramentas permitem avaliar jogadores com base em métricas objetivas, identificando talentos promissores e evitando contratações arriscadas.
Além disso, há uma mudança cultural na preparação física e mental dos atletas.
Clubes estão adotando métodos integrados, com acompanhamento psicológico, fisiológico e nutricional, buscando maximizar o rendimento e reduzir lesões.
Essa abordagem científica, antes restrita aos grandes clubes europeus, agora é realidade no Brasil.
O Papel dos Técnicos e a Valorização do Coletivo
A montagem do elenco também passa por uma valorização do coletivo sobre o individual.
Os técnicos têm assumido papel central nas decisões de reforço, participando diretamente da escolha de jogadores que se encaixem no modelo de jogo proposto.
Fernando Diniz (Fluminense), Abel Ferreira (Palmeiras) e Tite (Flamengo) são exemplos de treinadores que influenciam diretamente na construção do grupo.
A ideia é evitar elencos superlotados e apostar em peças que garantam entrosamento e versatilidade.
Mais do que grandes nomes, os clubes buscam elencos equilibrados, capazes de se adaptar às exigências de um calendário extenso.
Novas Tendências do Mercado
O mercado de transferências brasileiro em 2025 reflete essa mudança de mentalidade.
Contratações de impacto seguem existindo, mas agora com foco em atletas que agreguem valor técnico e comercial.
A busca por jogadores sul-americanos — especialmente argentinos, colombianos e uruguaios — tem aumentado, pois esses atletas costumam chegar com custos menores e alto potencial de valorização.
Ao mesmo tempo, há um movimento crescente de retorno de brasileiros que estavam na Europa.
Clubes apostam em repatriar jogadores experientes, mas apenas quando o custo-benefício é vantajoso.
O exemplo recente de Paulinho no Atlético-MG e de Felipe Anderson no Palmeiras demonstra esse novo perfil de contratação: planejada, pontual e estratégica.
