- Alavés x Osasuna: xfxsport
- O Contexto: Dois Sobreviventes com Missões Diferentes
- Alavés: O Guerreiro Basco de Mendizorroza
- Osasuna: O Leão de Navarra que Ruge Baixo, Mas Morde Forte
- O Duelo Tático: Trincheira vs. Tempestade
- Histórico: Rivalidade Respeitosa e Equilibrada
- O Que Está em Jogo: Permanência e Sonho Europeu
- Palpite: Norte Espanhol em Estado Puro
- Por Que o Brasileiro Deveria Assistir?
Alavés x Osasuna: xfxsport
Existem rivalidades no futebol que gritam. E existem aquelas que sussurram, mas com uma intensidade que arrepia quem conhece a história por trás. Deportivo Alavés x CA Osasuna é esse tipo de confronto. Dois clubes do norte da Espanha, separados por pouco mais de 100 quilômetros, unidos por uma cultura de resistência, orgulho regional e futebol visceral. Para o torcedor brasileiro que busca descobrir os tesouros escondidos da La Liga, este derby basco-navarro é uma joia rara que merece toda a atenção.
O Contexto: Dois Sobreviventes com Missões Diferentes
A La Liga 2024/2025 apresenta cenários distintos, porém igualmente desafiadores, para Alavés e Osasuna. O Deportivo Alavés, de volta à primeira divisão, luta na parte inferior da tabela para garantir sua permanência na elite. Cada ponto é tratado como ouro em pó, e a pressão sobre o elenco é constante. O clube de Vitória-Gasteiz, capital do País Basco, sabe que a margem de erro é zero e que jogos em casa precisam ser transformados em vitórias a qualquer custo.
O CA Osasuna, de Pamplona, capital de Navarra, vive um momento mais tranquilo na tabela, mas está longe de poder relaxar. Os navarros ocupam uma posição intermediária e sonham com uma vaga nas competições europeias — objetivo ambicioso, porém possível, dado o nível de organização e competitividade que o clube tem demonstrado nos últimos anos. O Osasuna é um daqueles times que nunca é favorito, mas que ninguém quer enfrentar.
Para o brasileiro, este cenário evoca confrontos como Juventude x Grêmio ou Ceará x Fortaleza — derbies regionais onde a proximidade geográfica intensifica a rivalidade e onde o orgulho local vale tanto quanto os três pontos.
Alavés: O Guerreiro Basco de Mendizorroza
O Deportivo Alavés é um clube que personifica a palavra resiliência. Fundado em 1921 na cidade de Vitória-Gasteiz, o Alavés viveu momentos de glória inesquecível — como a final da Copa da UEFA em 2001, quando perdeu para o Liverpool em uma partida épica que terminou 5×4, com gol de ouro na prorrogação. Aquela noite em Dortmund colocou o pequeno clube basco no mapa do futebol mundial e mostrou que tamanho não é documento.
No entanto, após aquele pico histórico, o Alavés enfrentou anos de queda livre: rebaixamentos, crises financeiras e temporadas esquecíveis nas divisões inferiores. O retorno à La Liga é, portanto, uma conquista monumental para um clube que, em seus piores momentos, chegou a disputar a terceira divisão espanhola.
O Mendizorroza, estádio do Alavés com capacidade para 19.840 torcedores, é um dos menores da La Liga, mas compensa em atmosfera e intimidação. As arquibancadas ficam muito próximas do campo, e a torcida basca — conhecida por sua lealdade inabalável — cria um ambiente que lembra os estádios de interior do Brasil: barulhento, apaixonado e completamente hostil para os visitantes.
O técnico Luis García Plaza, experiente comandante que já passou por clubes como Mallorca e Levante, tenta montar um time competitivo com poucos recursos. Seu sistema tático é um 4-4-2 disciplinado, com ênfase na compactação defensiva e nos contra-ataques rápidos. É um futebol que não vai ganhar prêmios de estética, mas que pode render pontos preciosos na luta contra o rebaixamento.
No elenco, o destaque é o atacante Kike García, veterano espanhol que é o coração e a alma do time. Com sua presença física imponente, trabalho incansável e capacidade de marcar gols importantes, Kike García é o tipo de jogador que toda torcida ama: guerreiro, dedicado e apaixonado pela camisa. No meio-campo, Antonio Blanco, emprestado pelo Real Madrid, traz qualidade técnica e visão de jogo. Na defesa, Abdelkabir Abqar, marroquino consistente, ancora a linha defensiva com segurança.
A conexão brasileira do Alavés tem um capítulo especial. O clube contou com Bebeto, lenda do futebol brasileiro e campeão mundial em 1994, que jogou no Alavés na temporada 1997/1998, na segunda divisão espanhola. Embora a passagem tenha sido breve, a presença de Bebeto em Vitória-Gasteiz é lembrada com carinho pela torcida local. Mais recentemente, Rodrigo Ely, zagueiro brasileiro, vestiu a camisa do Alavés e contribuiu para a solidez defensiva do time. Esses capítulos reforçam a ponte entre o futebol brasileiro e o modesto clube basco.
Osasuna: O Leão de Navarra que Ruge Baixo, Mas Morde Forte
O CA Osasuna é um dos clubes mais autênticos e admiráveis do futebol espanhol. Fundado em 1920 em Pamplona — a cidade mundialmente famosa pela Festa de San Fermín e pela corrida de touros — o Osasuna carrega em seu DNA a bravura navarra e um orgulho regional que transcende o futebol.
Uma curiosidade que encanta os brasileiros: o Osasuna é, junto com o Athletic Bilbao, Barcelona e Real Madrid, um dos poucos clubes da La Liga que não é uma Sociedade Anônima Desportiva. Isso significa que o clube pertence aos seus sócios, não a investidores privados. É o futebol do povo, pelo povo e para o povo — um conceito que ressoa profundamente com a cultura futebolística brasileira.
O Estádio El Sadar, casa do Osasuna, é um verdadeiro caldeirão. Reformado recentemente, o estádio tem capacidade para 23.576 torcedores e oferece uma das atmosferas mais intensas e hostis de toda a Espanha. Jogar em El Sadar é um pesadelo para qualquer visitante — e neste jogo, será o Alavés que terá que enfrentar essa tempestade. Porém, como o confronto é no Mendizorroza, o Osasuna terá que levar sua bravura para fora de casa.
O técnico Jagoba Arrasate deixou o clube após anos de excelente trabalho, e seu substituto, Vicente Moreno, herdou um time bem estruturado e com identidade definida. O sistema tático é um 4-3-3 agressivo, com pressão alta, marcação intensa e transições velozes. O Osasuna joga como um time grande disfarçado de time médio — e isso é mérito de uma gestão esportiva exemplar.
O grande destaque do elenco é Ante Budimir, atacante croata de 1,90m que é uma máquina de fazer gols. Com sua capacidade aérea devastadora, finalização precisa e movimentação inteligente, Budimir é um dos atacantes mais subestimados da La Liga. Ao seu lado, Aimar Oroz, jovem meia navarro, encanta com sua técnica refinada e seus passes entre linhas que lembram os grandes meias espanhóis da história. Na defesa, David García, capitão e ídolo da torcida, lidera com autoridade e experiência.
A conexão brasileira do Osasuna é discreta, mas significativa. O clube contou com Nino, zagueiro brasileiro que teve uma passagem sólida por Pamplona e é lembrado com carinho pela torcida. Além disso, o estilo de jogo do Osasuna — corajoso, ofensivo e baseado na coletividade — tem muito em comum com a filosofia de times brasileiros que valorizam o jogo bonito com garra, como o Fortaleza de Vojvoda ou o Athletico-PR de Felipão.
O Duelo Tático: Trincheira vs. Tempestade
O confronto entre Alavés e Osasuna promete ser uma guerra tática no melhor estilo norte-espanhol. O Alavés, jogando em casa, deve montar um bloco defensivo compacto, fechando os espaços centrais e tentando anular as infiltrações de Aimar Oroz. O plano de Luis García Plaza será simples e eficaz: defender com organização e atacar com velocidade nos contra-ataques, explorando a presença física de Kike García nas bolas aéreas.
O Osasuna, por sua vez, vai chegar ao Mendizorroza com intenção de dominar. Moreno deve escalar seu time mais ofensivo, com Budimir como referência e Oroz livre para criar. A pressão alta será a arma principal, tentando forçar erros na saída de bola do Alavés e criar chances de gol nos primeiros minutos.
O jogo aéreo será absolutamente crucial neste confronto. Kike García e Budimir são dois dos melhores cabeceadores da La Liga, e os escanteios e faltas laterais podem decidir o resultado. Quem dominar as bolas paradas terá uma vantagem enorme.
A intensidade física também será um fator determinante. Ambos os times jogam com muita energia e comprometimento físico, e o desgaste da segunda etapa pode abrir espaços que não existem nos primeiros 45 minutos. Os bancos de reservas terão papel fundamental.
Histórico: Rivalidade Respeitosa e Equilibrada
O confronto entre Alavés e Osasuna é um clássico regional que reflete a rivalidade entre o País Basco e Navarra — duas comunidades autônomas vizinhas com identidades culturais próprias, mas unidas por laços históricos profundos. Nos últimos encontros, os jogos foram disputados, físicos e com poucos gols, refletindo o estilo de futebol praticado por ambos os clubes.
O equilíbrio é a marca registrada deste confronto. Nos últimos dez jogos entre as equipes, foram vitórias alternadas e empates frequentes, com uma média de apenas 1,8 gols por partida. É um derby onde a defesa costuma falar mais alto do que o ataque, e onde um único gol pode ser suficiente para decidir o resultado.
O Que Está em Jogo: Permanência e Sonho Europeu
Para o Alavés, três pontos contra o Osasuna significariam um respiro vital na luta contra o rebaixamento. Vencer um rival regional em casa fortaleceria a moral do elenco e daria confiança para os desafios seguintes. Uma derrota, por outro lado, aumentaria a pressão sobre Luis García Plaza e mergulharia o clube em crise profunda.
Para o Osasuna, vencer no Mendizorroza consolidaria a campanha e manteria vivo o sonho de uma vaga europeia. O clube sabe que precisa pontuar fora de casa contra adversários diretos e inferiores para alcançar seus objetivos, e este jogo é uma oportunidade de ouro para mostrar que pertence à parte de cima da tabela.
Palpite: Norte Espanhol em Estado Puro
Este é o tipo de jogo em que o empate ronda os 90 minutos como uma sombra. Ambos os times são organizados defensivamente, físicos e competitivos, e a tendência é um confronto equilibrado e decidido nos detalhes. No entanto, a qualidade individual do Osasuna, especialmente com Budimir e Oroz, pode fazer a diferença nos momentos-chave.
Palpite: Alavés 1×2 Osasuna
Gols: Kike García (ALA), Budimir e Oroz (OSA)

Por Que o Brasileiro Deveria Assistir?
Porque Alavés x Osasuna é futebol em sua forma mais crua e autêntica. Sem estrelas milionárias, sem VAR polêmico dominando as manchetes, sem dramas de redes sociais. Apenas dois clubes do norte da Espanha, com torcidas apaixonadas e identidades inegociáveis, disputando três pontos como se fosse a final da Copa do Mundo.
Para o brasileiro que sente falta do futebol raiz — aquele de estádio lotado, grito de gol rouco e abraço apertado no desconhecido ao lado — este derby é um presente. É o lembrete de que o futebol mais bonito nem sempre está nos maiores palcos, mas sim naqueles lugares onde a paixão supera o orçamento e onde cada gol é celebrado como se fosse o último.
O apito inicial está marcado para as 11h (horário de Brasília). Acorde cedo, faça aquele chimarrão ou cafezinho e assista a um pedaço do futebol espanhol que poucos conhecem, mas que todos deveriam conhecer.
Placar Final Previsto:
Alavés 1×2 Osasuna
O Leão de Navarra ruge fora de casa e leva os três pontos do Mendizorroza.
