Nenhum clássico brasileiro carrega tanta intensidade, rivalidade e história quanto o Derby Paulista, o confronto entre Palmeiras e Corinthians.
Em São Paulo, esse jogo é mais do que uma simples partida de futebol — é uma guerra de corações, tradições e identidades.
A cidade se divide em verde e preto e branco.
Famílias se separam, amigos discutem e o país inteiro assiste ao duelo que simboliza a alma competitiva do futebol brasileiro.
O Derby é o encontro de dois mundos: de um lado, o Corinthians, o time do povo, símbolo de resistência e superação; do outro, o Palmeiras, o clube da tradição e da glória, conhecido pela excelência e pela força técnica.
Cada jogo é uma nova batalha dessa rivalidade centenária que já atravessou gerações e continua viva como nunca.
As Origens do Derby
O primeiro encontro entre Palmeiras e Corinthians aconteceu em 1917, ainda nos primórdios do futebol paulista.
Na época, o Palmeiras se chamava Palestra Itália, e o Corinthians já era o clube das massas operárias de São Paulo.
O duelo surgiu como uma disputa social e cultural, representando dois segmentos distintos da cidade: o imigrante europeu e o trabalhador local.
A rivalidade cresceu rapidamente.
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro proibiu o uso de nomes ligados às potências do Eixo, e o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome.
O Corinthians, rival histórico, foi o primeiro a enfrentá-lo sob o novo nome — Sociedade Esportiva Palmeiras — e o jogo terminou com vitória palmeirense por 3 a 1, marcando o início de uma era.
Aquela partida ficou conhecida como o “Dia da Raça”, e o clássico nunca mais foi o mesmo.
Décadas de Glórias e Confrontos Épicos
Durante os anos 1950 e 1960, o Corinthians sofria com um jejum de títulos, enquanto o Palmeiras vivia seus anos dourados.
O “Verdão” conquistava campeonatos e consolidava o apelido de “Academia de Futebol”, pela elegância e técnica de jogadores como Ademir da Guia.
Nos anos 1970, o Corinthians ressurgiu com força, apoiado por uma torcida apaixonada e pelo carisma de ídolos como Sócrates e Basílio.
Foi nessa época que o Derby se transformou em um fenômeno social, com estádios lotados e cobertura nacional.
Nos anos 1990, o equilíbrio voltou com tudo.
As equipes protagonizaram duelos históricos em Paulistas e Brasileirões, e o clima de rivalidade atingiu o ápice.
Quem não se lembra da final de 1993, quando o Palmeiras, após 17 anos sem títulos, derrotou o Corinthians e levantou o troféu estadual?
Ou das batalhas épicas de 1999 e 2000, em semifinais de Libertadores e mata-matas de arrepiar?
Símbolos, Ídolos e Emoções
O Derby é feito de heróis e vilões.
De um lado, nomes como Marcos, Evair, Djalminha e Edmundo marcaram época com a camisa do Palmeiras.
Do outro, Ronaldo, Marcelinho Carioca, Casagrande e Neto entraram para a eternidade com atuações lendárias.
Cada partida tem seu protagonista e sua narrativa.
Gols no fim, expulsões, viradas improváveis e provocações fazem parte da essência do clássico.
O torcedor palmeirense e o corintiano aprendem desde cedo que o Derby não se joga: se vive.
O Clássico nas Arquibancadas
O espetáculo dentro de campo é apenas parte da história.
Nas arquibancadas, o Allianz Parque e a Neo Química Arena se transformam em templos da emoção.
As torcidas — Mancha Verde e Gaviões da Fiel — criam um ambiente de arrepiar, com bandeirões, cânticos e coreografias que fazem o futebol brasileiro ser o que é: pura paixão.
O respeito existe, mas o clima é de tensão permanente.
Durante os 90 minutos, São Paulo se divide em duas cores.
E, quando a bola rola, cada lance é vivido com a intensidade de uma final.
Momentos Recentes
Nos últimos anos, o Derby voltou a ser decisivo em diversas competições.
Em 2018, o Corinthians surpreendeu o Palmeiras e venceu o Campeonato Paulista em pleno Allianz Parque, em um dos jogos mais polêmicos da década.
Já em 2020, o Verdão deu o troco e conquistou o estadual nos pênaltis, com Weverton como herói.
Em 2023 e 2024, ambos os clubes mantiveram o alto nível competitivo, com o Palmeiras de Abel Ferreira impondo uma era de hegemonia e o Corinthians buscando se reinventar.
Ainda assim, quando o Derby acontece, o favoritismo desaparece — o coração fala mais alto.
Um Clássico que Nunca Morre
O Derby Paulista é mais do que um capítulo da história do futebol.
É uma herança cultural, um retrato da cidade de São Paulo e do Brasil apaixonado por bola.
A cada geração, novos ídolos surgem, novas histórias são contadas, mas a essência permanece a mesma: o amor incondicional pelas cores e o desejo de vencer o maior rival.
Palmeiras x Corinthians é a prova viva de que o futebol brasileiro não é apenas esporte — é emoção, memória e identidade.
E enquanto houver torcida nas arquibancadas, esse clássico continuará sendo o jogo que faz o coração de São Paulo parar.
