A análise de jogos tornou-se uma parte essencial do futebol moderno. Ela fornece informações que ajudam treinadores, jogadores e dirigentes a entender melhor o desempenho da equipe. No entanto, mesmo com o avanço da tecnologia e a profissionalização do setor, muitos erros continuam a ser cometidos. Esses equívocos distorcem a interpretação dos dados e prejudicam a tomada de decisão.
Compreender esses erros é fundamental para qualquer profissional que trabalhe com análise de desempenho. Neste artigo, exploramos os principais deslizes cometidos e como evitá-los, garantindo que as análises realmente sirvam ao propósito de melhorar o futebol jogado dentro de campo.
Avaliar o Resultado e Não o Desempenho
O erro mais comum é confundir resultado com desempenho.
Uma vitória pode mascarar falhas graves, enquanto uma derrota pode esconder progressos importantes.
A análise deve ir além do placar e buscar compreender como o jogo foi jogado.
Por exemplo, uma equipe que venceu por 1 a 0 pode ter criado apenas uma chance real de gol, enquanto o adversário desperdiçou cinco.
O resultado, nesse caso, não reflete o que realmente aconteceu em campo.
Ao focar apenas no placar, perde-se a oportunidade de corrigir erros estruturais.
O verdadeiro analista observa o comportamento coletivo, o posicionamento, a transição, a intensidade e as decisões — elementos que compõem o desempenho real, e não apenas o número no marcador.
Ignorar o Contexto do Jogo
Todo jogo é influenciado por fatores externos: clima, gramado, arbitragem, viagens longas, desgaste físico e até o momento emocional da equipe.
Ignorar esses contextos é um erro grave.
Por exemplo, um time pode apresentar desempenho abaixo do esperado simplesmente por causa do calor extremo, que reduz a intensidade de pressão.
Outro pode perder eficiência porque jogou três partidas em uma semana.
Quando o analista desconsidera essas variáveis, corre o risco de atribuir culpas injustas ou conclusões equivocadas.
O contexto é parte inseparável da análise — sem ele, os números perdem significado.
Falta de Objetividade nos IndicadoresOutro erro comum é o uso incorreto ou exagerado de indicadores.
Coletar dados é fácil; transformá-los em informação útil é o desafio.
Alguns analistas se perdem em estatísticas irrelevantes, enchendo relatórios com números que não contribuem para a tomada de decisão.
Indicadores precisam ser específicos, mensuráveis e relevantes.
Por exemplo:
- Porcentagem de posse de bola não significa domínio se não houver eficiência ofensiva.
- Número de passes só é positivo se eles gerarem progressão e chances reais.
O foco deve ser sempre o impacto real desses números no desempenho da equipe.
Falta de Padronização na Coleta de Dados
Cada analista pode ter uma forma própria de observar o jogo, mas a falta de padronização é um problema.
Sem critérios claros, as comparações entre jogos se tornam incoerentes.
É essencial criar protocolos fixos para registrar e classificar os eventos do jogo: o que é considerado finalização, passe decisivo, erro técnico, duelo vencido, entre outros.
A padronização garante consistência e credibilidade aos relatórios.
Nos clubes de ponta, as equipes de análise trabalham com manuais internos, garantindo que todos os analistas falem a mesma linguagem e sigam os mesmos parâmetros.
