Existem jogos que são lembrados pelo placar. E há outros, muito mais raros, que são lembrados pelos craques que os tornaram inesquecíveis. O futebol vive de momentos, e os grandes jogadores são aqueles capazes de mudar o destino de um jogo com um toque, um drible, um gol improvável. Em cada era, houve alguém que brilhou mais forte, transformando uma simples partida em um espetáculo eterno. Os grandes jogos são grandes porque tiveram craques à altura.
Em 1970, no México, Pelé protagonizou uma das maiores atuações da história do futebol na final da Copa do Mundo. O Brasil venceu a Itália por 4 a 1 e conquistou o tricampeonato, mas o que ficou marcado foi o brilho de “O Rei”. O gol de cabeça que abriu o placar, o passe magistral para Carlos Alberto Torres marcar o quarto gol — tudo o que Pelé fez naquele dia foi poesia. Ele não apenas jogou futebol; ele o reinventou. A imagem dele erguendo a taça Jules Rimet ainda é o símbolo máximo da grandeza brasileira.
Anos depois, em 1986, o mundo viu nascer outra lenda. Diego Armando Maradona, com a camisa da Argentina, protagonizou o que muitos chamam de o maior jogo individual de todos os tempos: a vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1, nas quartas de final da Copa do Mundo. Em um intervalo de poucos minutos, Maradona fez dois gols opostos e icônicos — um com a “mão de Deus”, e outro após driblar metade do time adversário. Aquele jogo no Estádio Azteca foi mais do que futebol: foi arte, drama, e redenção política. Maradona transcendeu o esporte e se tornou mito.
Em 2002, Ronaldo Fenômeno renasceu como herói. Após uma grave lesão e anos de dúvidas, o craque brasileiro voltou em sua melhor forma durante a Copa do Mundo da Coreia e Japão. Marcou oito gols e decidiu a final contra a Alemanha com dois gols precisos. Aquele desempenho não foi apenas técnico, foi emocional. Ronaldo mostrou ao mundo o poder da superação. O brilho nos olhos e o sorriso após o segundo gol são lembranças eternas de um jogador que redefiniu o significado de resiliência.
Na Champions League de 2005, Steven Gerrard teve sua noite mágica em Istambul. O Liverpool perdia por 3 a 0 para o Milan, e tudo parecia acabado. Mas Gerrard liderou a reação com raça e coração. Fez o primeiro gol, incendiou o time e inspirou a virada mais incrível da história da competição. O “Milagre de Istambul” não teria acontecido sem ele. Naquela noite, Gerrard não foi apenas capitão — foi o símbolo do impossível.
Outro nome que brilhou em uma partida histórica foi Zinedine Zidane, em 1998. Na final da Copa do Mundo, contra o Brasil, o francês marcou dois gols de cabeça e comandou sua seleção rumo ao título inédito. O Stade de France explodiu, e o nome de Zidane se tornou sinônimo de elegância e genialidade. Ele mostrou que o futebol pode ser arte e precisão ao mesmo tempo. Sua performance foi perfeita — o equilíbrio entre técnica, calma e domínio absoluto do jogo.
Nos tempos modernos, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo escreveram seus próprios capítulos em grandes jogos. Messi, em 2011, brilhou na final da Champions contra o Manchester United, marcando um gol e conduzindo o Barcelona ao ápice do futebol coletivo. Foi o jogo que definiu o Barça de Guardiola como o time mais dominante de uma geração. Cristiano, por sua vez, teve atuações épicas em finais e semifinais, como em 2017, quando marcou duas vezes na vitória do Real Madrid sobre a Juventus, conquistando mais uma Champions e reafirmando sua fome interminável de vitórias.
E como esquecer Neymar, em 2017, no famoso 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG? Com dois gols e uma assistência, ele comandou uma das maiores viradas da história da Champions. Aquele jogo mostrou o lado mais puro do craque brasileiro — ousadia, talento e coragem para decidir quando tudo parecia perdido.
Esses craques fizeram mais do que jogar — eles criaram memórias eternas. Em cada toque, em cada jogada, deixaram marcas que o tempo não apaga. Porque, no fim, o futebol é isso: um palco de emoções onde os grandes artistas brilham mais forte nas noites em que o mundo inteiro para para assistir.
